Surrender, earthlings

March 14th, 2011

Há quatro anos eu mudei algumas coisas na minha vida. Emprego, estilo de vida, dieta, área no restaurante (agora um não-fumante) e uma válvula. A aórtica.
E comprei um Mac. Eu já havia recebido um iBook como pagamento de um frila, mas era mais um brinquedão que um computador.
O MacBook pretinho, prontamente batizado de “Black is The New Black” acabou com as chances de Billy Gates ganhar dinheiro meu com o Windows. Ou quase. Ainda não havia o Windows 7, e alguns dos meus jogos favoritos não rodam em Macs.
Anyway. Ao MacBook se seguiram o primeiro iPhone, o 3GS, um MacBook pro. E agora isso aí em cima. Me trouxe de volta ao blog, aliviou minha coluna (more on that later) e transformou minha mulher em macmaníaca.

Se a parada funciona? Sim, a parada é foda.

O domingo e a procrastinação

May 25th, 2009

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Eu até queria bloggar no domingo, vencer a preguiça, criar uma rotina, uma disciplina. Para quê, mesmo? Criar uma audiência? Aperfeiçoar a técnica? fingir que eu tenho algo interessante a dizer (quase) todo dia? Nah. Melhor mesmo foi adiantar o presente de aniversário da namorada, arrumar as últimas coisas da casa antes de voltar para o batente em velocidade de cruzeiro e fazer um “carêraisu”.

E deixar o post sobre o del.icio.us para outro dia.

A busca da onda nova

May 22nd, 2009

A felicidade paradoxal

Ou, “Quero cunhar a próxima buzzword“.

Gilles Lipovetsky é conhecido, ou lembrado, em diferentes círculos, por diferentes trabalhos. Há quem discorra sobre Os tempos hipermodernos e a validade do enterro do pós-moderno, há os que dele se lembram pelo trabalho “meiado” com Elyette Roux falando de consumo de luxo.

Em A felicidade paradoxal (isbn 978-85-359-1093-3), Lipovetsky gasta mais de 400 páginas para mostrar que a gente entrou numa terceira era do capitalismo de consumo, saíndo do consumo desenfreado para um consumo ainda mais desesperado, mas com alguma consciênca. A primeira coisa que alguém que tenha crescido na periferia de São Paulo pergunta ao livro é: “mas quem é que consome desse jeito, ô, bacana?” Porque posso até ser eu, hoje, a consumir nesse nível — fui encontrar uma amiga na Cultura do Conjunto Nacional ontem e quase comprei seis livros. Saí comemorando o fato de ter resistido —, mas não é isso que acontece com o povo em geral.

Sendo a minha família classe média-caindo-pelas-tabelas, bem sei que o preço (sim, Lipovetsky até fala do consumo do produto mais barato, mas esse não é o barato dele — tu-dum, pssshhh!) é o fator determinante ainda e por tempo indeterminado. Essa pretensa riqueza ubíqua não chegou aqui. Mas, até aí, essa tal de internet ubíqua também não chegou, e isso não nos impede de falar o tempo todo nisso como se fosse uma verdade para 90% da população.

Mas alguns insights sobre consumo são bastante interessantes, a ponto de eu não jogar o livro pela janela. O consumo emocional e o consumo responsável que vêm se infiltrando na vida de todo mundo (do frango sem hormônio à sacola de feira para não pegar sacolinhas de plástico e qualquer coisa que seja eco ou socialmente responsável). Desde que não seja dez vezes mais caro, “craro”.

O livro tem uma primeira parte que tenta colocar tudo em uma perspectiva histórica dando uma pincelada e pinçado só o que interessa. Oras, ninguém esperava nada muito aprofundado, claro. A segunda parte faz um percurso que começa pela pobreza, passa pela “morte” do prazer dionisíaco (que cederia lugar a um hedonismo diferente, da obsessão pelo bem-estar e pelo desempenho — e mais individualista que nunca) e segue tentando reabilitar a Inveja como objeto de estudo, afinal, em que se baseia a publicidade desde os tempos primevos?

No final das contas, sim, estamos adentrando uma época de consumo paradoxal: consciente e hippie-sujo e extremamente individual. O grande truque de Lipovetsky foi fazer um texto paradoxal em si, e não tomar partido exceto pela seu otimismo que, confesso, me irritou por vezes.

A propósito de bloggar

May 21st, 2009

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De novo e de novo again mais uma vez. Vício. Compulsão. Transtorno.

Blogava eu em 99. Antes das ferramentas de blog. No Geocities. No SoHo. Foram uns bons tantos nove ou dez blogs criados, mantidos por períodos de dois meses a dois anos e mortos. Uma ressurreição. Uma operação do coração e uma artroscopia. E enchi ossaco.

Foi mais ou menos em 2007, ano em que o Brasil se dava conta de que “mídias sociais” podiam dar dinheiro, que desisti de bloggar. Esse foi o ano em que se começou a falar em pro-bloggers e “monetização” (o cu da cobra). Ano do nascimento cego e banguela das sub-celebridades que mal sabem escrever em português, mas que têm lá uma certeeeza…

Agora que esses sujeitos destruíram a possibilidade de se levar blogs a sério — e continuam cegos e banguelas—, volto eu, feliz da vida, a passear pelos destroços de uma cultura requenguela, país de inteligências movidas a google-algorithm, e fazer o que fazia antes de os bárbaros adentrarem os portões: bloggar.

Não sem uma certa vergonha, há que se admitir.

Então vamos, adeptos da gramática pré-reforma de 2009, que somos velhos, arcaicos, vetustos e ultrapassados, adoradores de tremas e diacríticos em geral, e cheiradores de filme vencido. ISO 50, 100, 200 e o que mais for. Devotos de numerais oldstyle e aspas de tipógrafo.

E comentando do que assim nos der na telha. Ora falando de si em primeira pessoa, ora lançando mão do plural majestático, que é coisa fina e decadente até a última gota de gel. Apeiem-se nas banquetas e perguntem ao “seu Natalício” aí ao lado o resultado da PTN, enquanto esperam o pão-na-chapa. Cá para nós, acho que deu burro.

Vai um cafezinho, dotô?